BRICK DE IDÉIAS

29/12/2004 13:48
Enchendo lingüiça sim, e daí!!!!


Há alguns anos atrás eu trabalhava em Santos – SP, fazendo boletim de estaqueamento. Basicamente era o seguinte:
Eu chegava bem cedo, em torno de 07:00 da manhã, pegava o tal do boletim em branco, colocava o capacete, seguia em direção ao píer da Ultrafértil e aguardava o barco que levava a gente para cima do Flutuante. Chegando lá, eu tirava a lâmina d’água (unidade de medida entre o fundo lodoso e a lâmina d’água), depois disso aguardávamos a chegada da estaca, que vinha boiando puxada por um barco de alumínio (o mesmo que transportava a gente). As estacas costumavam ter de 15 a 36 metros de comprimento. Este valor dependia do local onde ela seria cravada. Ah! Eu esqueci de mencionar que antes do processo de estaqueamento, eu era incumbido de medir todas as estacas e marcá-las, com um marcador industrial, de metro em metro para poder controlar o estaqueamento.
O flutuante era uma balsa velha presa por cabos fixados na margem do rio e no píer. Em cima do flutuante ficava o bate-estaca, que era nada mais do quê um guindaste que puxava um “martelo” (um troço retangular e preto que pesava umas 2 toneladas).
Quando tudo estava pronto, com a estaca presa no gabarito do flutuante, este era posicionado na cota exata fornecida pelos topógrafos eu me sentava próximo à estaca, de preferência onde pudesse ver as marcações, e dava o sinal para que começassem o estaqueamento. Pra se ter uma noção, este trabalho era tão perigoso que eu era o único que tinha permissão de ficar perto do martelo durante o processo. Todos os outros ficavam a, no mínimo, 20 metros de distância. Uma vez uma chave de fenda que havia sido esquecida em cima do martelo, caiu e atravessou o chão do flutuante, deixando um buraco enorme na espessa chapa de ferro. Imaginem se caísse na minha cabeça. Seria bye bye Zezinho!
Durante todo o tempo em que trabalhei nesse flutuante aconteceram apenas alguns acidentes de pequenas proporções. Era um peão que caia do flutuante aqui, outro que batia a cabeça no gabarito das estacas acolá , enfim, nada realmente grave. Um dia, porém, o encarregado pelo estaqueamento, Sr. Mauro, um cara tri gente fina e muito preocupado com a segurança de todos, acabou esquecendo-se do conselho que sempre dava à todos: “Nunca fiquem próximos aos cabos enquanto o flutuante estivar em movimento!” Eu já não estava mais trabalhando no píer quando a merda aconteceu. Lembro-me de estar em minha sala quando ouvi o som de uma sirene de ambulância. Olhei pela janela e vi um monte de gente correndo em direção ao píer enquanto a ambulância manobrava para entrar de ré pelo estreito corredor que levava a ponta do cais. “Fodeu!” Pensei comigo mesmo. Ao me aproximar, a cena que vi era horrível, o Sr. Mauro, semi-inconsciente, estava sendo carregado por umas quatro pessoas enquanto um outro tentava em vão segurar o pé decepado, preso apenas por uma tira de pele, junto ao que sobrara de sua perna totalmente ensopada de sangue. Lembro de ver o sangue pingando e se dissolvendo na água do mar. Parecia a cena de filme de terror. Depois que o levaram para o hospital eu fiquei sabendo o que tinha acontecido. Ao movimentar o flutuante, todos os cabos que o prendiam deveriam ser afrouxados, mas nesse dia o funcionário encarregado dessa tarefa esqueceu de soltar os cabos. Quem assistiu a cena disse que ao arrebentar o cabo, o Sr. Mauro estava com as duas pernas abertas e com o cabo no meio delas e foi de um só golpe. Slash!!(não, não o guitarrista do guns) Não sei porque estou contando esta história aqui, aliás ela nem acaba assim, mas é que eu já to saindo aqui do serviço e não to com paciência pra terminar ela direitinho. Sò escrevi porque não tinha idéia do que escrever. Mas esta merda aqui é minha mesmo, então pronto!!

Semana que vem tem post novo!! Até lá!!!

enviada por ZE WAS HERE






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